Memorial do Convento – José Saramago (Opinião)

879188Publicação: 2002
Editor: Caminho (agora reeditado pela Porto Editora)
ISBN: 9789720046710
Preço Editor: 16,99€ (na edição recente da Porto Editora)
Minha classificação: 4 em 5 estrelas

Opinião: Dois meses depois, finalmente terminei este livro! Não que seja mau, porque não é. Apenas digo isto porque acabo por sentir-me farta do livro se demorar muito tempo para o ler.
Todos os portugueses certamente sabem sobre o que é “Memorial do Convento”, ou pelo menos já ouviram falar “No 12º ano vão ter que o ler”. No meu caso, eu li tanto porque é obrigatório, mas também porque estava curiosa em conhecer o tão clamado livro de Saramago, que ganhou o prémio Nobel da literatura. Ao contrário de muitos livros sobre história ou com a ação num passado histórico, envolve, na sua maioria, réis, a história destes, ou de alguém da nobreza. Mas “Memorial do Convento” é mais do que um livro sobre réis. “Memorial do Convento” é um livro que critica a sociedade daquele tempo (critica essa que pode-se aplicar aos dias de hoje, por vezes), em que vemos também um romance. Não o romance entre nobres, ou um romance proibido. O Romance raro e puro entre duas pessoas pobres, do povo: Uma mulher que vê por dentro e um homem que perdeu a sua mão esquerda ao serviço de D. João V, numa guerra.
O que mais gostei no livro:
O Romance, a pureza na relação entre Baltasar Sete-sóis e Blimunda, à qual o Padre Bartolomeu mais tarde irá chamar de Sete-luas. Mas também gostei imenso das partes em que o narrador fazia criticas à sociedade, ao governo, ou seja, ao nosso país, daquela altura. Vemos descrito no livro um país que é “assombrado” pela inquisição. Temos também um rei que, para gerar um herdeiro, promete levantar um convento, pelo que mais tarde veremos então D. João V a cumprir a sua palavra. Mas é aqui que a critica começa. Não foi D. João V quem construiu o convento, que passou horas e horas, durante dias e anos a fio, a erguer pedras, a carregá-las, e a usar toda a sua força e até mesmo aquela que não tinha, para construir um convento a troca de meia dúzia de tostões que mal dava para alimentar a família. Esta é talvez a critica principal, e é nisto que a história de foca: No povo.

Agora eis a razão porque para mim este é um livro de quatro e não de cinco estrelas: Não o li na altura certa. Sim, existe sempre uma altura certa para lermos certo livro. Pelo menos, eu penso assim. Penso que se tivesse lido este livro daqui a uns dez ou mais anos, iria provavelmente adorar o livro, e desfrutá-lo a 100%, pelo que daria muito provavelmente cinco estrelas. Porém li-o agora, pelo que não foi uma leitura fácil, mesmo eu sendo uma leitora muito ativa desde dos meus 13/14 anos. Gostei realmente das criticas à sociedade. Gostei do romance. Gostei de toda a história da passarola, e dos personagens envolvidos. Até mesmo as poucas partes em que era mencionada a nobreza me agradou. Porém houve algo que me fez achar que Saramago escreveu só por escrever, como é o caso do capítulo em que fala-se de uma festa qualquer de santos. Metade da história foi boa (não digo metade no sentido literal do livro), mas houve várias partes que achei chatas e que não considero que sejam relevantes para a história. Mas como disse, li-o na altura errada. Se lesse com 30 ou mais anos, provavelmente diria que este livro é fantástico.

Apesar de ser um leitura obrigatória, principalmente para quem tem exame nacional de português, li também este livro por curiosidade e vontade própria, e no final, gostei de o ler, e sendo este o meu segundo livro lido de Saramago, pretendo ler muitos mais, num futuro próximo.
MAS fiquei revoltadíssima com o final. Quem leu, sabe do que falo. Embora a realidade seja esta: Nem sempre tudo acaba bem, e nem sempre existe justiça, sendo que este é um termo que varia aos olhos de cada pessoa.

Sinopse: «Um romance histórico inovador. Personagem principal, o Convento de Mafra. O escritor aparta-se da descrição engessada, privilegiando a caracterização de uma época. Segue o estilo: “Era uma vez um rei que fez promessas de levantar um convento em Mafra… Era uma vez a gente que construiu esse convento… Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes… Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido”. Tudo, “era uma vez…”. Logo a começar por “D. João, quinto do nome na tabela real, irá esta noite ao quarto de sua mulher, D. Maria Ana Josefa, que chegou há mais de dois anos da Áustria para dar infantes à coroa portuguesa a até hoje ainda não emprenhou (…). Depois, a sobressair, essa espantosa personagem, Blimunda, ao encontro de Baltasar. Milhares de léguas andou Blimunda, e o romance correu mundo, na escrita e na ópera (numa adaptação do compositor italiano Azio Corghi). Para a nossa memória ficam essas duas personagens inesquecíveis, um Sete Sóis e o outro Sete Luas, a passearem o seu amor pelo Portugal violento e inquisitorial dos tristes tempos do rei D. João V.» (Diário de Notícias, 9 de Outubro de 1998).

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