[Entrevista] Audrey Carlan – Autora da série “A Rapariga do Calendário”


Como alguns de vocês devem ter visto no facebook, eu fui uma das bloggers que esteve com a autora Audrey Carlan, na passada segunda-feira (19/Set), num simples, divertido e agradável cocktail. E como é óbvio, não podia deixar escapar a oportunidade de fazer uma entrevista ao autora dos livros “A Rapariga do Calendário” (uma aposta Planeta).

Antes de mais, tenho que referir que adorei conhecer a autora, que foi fantástica! É sem dúvida uma pessoa fácil de se gostar e muito divertida. E tenho que agradecer à Planeta pela oportunidade que me deram de conhecer a Audrey Carlan. Também a agente dela, Meire Dias, foi fantástica e adorei conhecê-las ambas! Obrigada Planeta, principalmente um enorme obrigada à representante da editora que me fez o convite e com quem tenho falado ao longo destes três meses, que tem sido impecável e bastante simpática comigo!

Esta entrevista foi feita em grupo, com outras quatro bloggers dos blogues: Algodão Doce para o Cérebro (Ne e Mafi), Os Livros Nossos (Isabel) e Esmiuça o Livro (Sónia)
(As perguntas apareceram com o nome do blogue responsável por essa mesma pergunta.)

Algodão Doce para o Cérebro: Qual é o teu personagem masculino favorito?
Audrey: Por acaso, gosto do Alex. Porque ele é Francês, é sexy e para ele, tudo é sobre como gostarmos de nós mesmos e gostarmos das pessoas, e eu aprecio isto nele.

Algodão Doce para o Cérebro: Do ao inicio ao fim, sempre gostaste do Alex? Ele foi sempre o teu favorito ou houve alguma mudança?
Audrey: Eu não me apaixono pelos meus personagens… Mas apaixono-me pelos20160803_131334 personagens de outros autores, porque para mim, os meus personagens são os meus melhores amigos. Eles não são os meus companheiros. Eles não são as minhas crianças. Não são as minhas crianças porque eu escrevo-os para terem sexo. Então, eu não os vejo dessa forma, como algumas pessoas diriam “Oh, eles são como se fossem os meus filhos”. Os meus têm sexo, por isso eles não são como meus filhos. E também não os vejo como um interesse amoroso, porque fui eu que os escrevi.

Algodão Doce para o Cérebro: Escreveste todos os meses de uma só vez? 
Audrey: Não. Escrevi mês a mês. Eu sabia onde queria que a Mia fosse, na maioria dos meses. Sabia onde queria que ela fosse, como “Ok, em Março, quero-a em Chicago e ela estará com uma família italiana. E a seguir, eu queria que ela fosse para Maimi, onde encontraria uma estrela de hip-hop. Em Maio, queria que ela fosse uma modelo XL. Apenas pensei nestes pontos, mas não dos detalhes por trás disso. Eu sentava-me e apenas pensava “Ok… Quem é esta pessoa? Porque é importante? Porque será ela importante para a jornada da Mia? Qual seria a reação dela com ele? Como é que isso iria afetar a vida dela?

Algodão Doce para o Cérebro: Já visitaste os lugares do teu livro? 
Audrey: A maioria. Alguns deles fazem parte da minha vida. Visitei todos os lugares de Maio. Eu e o meu marido fomos algumas vezes ao Hawai e fomos a todos os lugares que referi no livro. Vimos a dança do fogo, e foi ai que soube da tatuagem. Depois, fiz imensa pesquisa sobre a cultura Samoana. A cultura Samoana é única, com as suas tatuagens. Só obtens-nas com alguém. Fiz imensa pesquisa, porque não queria desrespeitar de alguma forma a cultura deles.

The Girl Who Reads Books [eu]: Qual é o teu mês favorito? 
Audrey: Tenho diferentes meses favoritos. Adorei Fevereiro porque a mensagem, da Mia aprender a amar-se a si mesma, foi importante. Quero que todas as mulheres aprendam com isso. Não podemos amar mais ninguém, se não soubermos amar-nos a nós próprias. Maio foi o mais fácil de escrever. Escrevi em 5 dias apenas. Setembro e Outubro foram os mais difíceis, porque quando és tão ligado aos teus personagens, eles tornam-se parte da tua família. Por isso, quando tens que os pôr sobre situações complicadas, é difícil para ti, escrevê-las. Adorei imenso Agosto, porque gosto de surpreender os fãs.

Os Livros Nossos: Qual foi o teu objetivo ao mostrar aos leitores uma cena de violência? 
Audrey: Nos estados unidos, uma em cada quatro mulheres são sexualmente atacadas. Não sei como são as coisas aqui em Portugal, mas na minha vida, tenho quatro melhores amigas e duas delas passaram por situações destas e a minha mãe foi vítima de violência doméstica. Por dar muito importância aos direitos das mulheres, sobre violência doméstica e como ultrapassar este tipo de situações, queria que a Mia passasse por isso, pois o que ela faz pode ser considerado perigoso ou um risco. Tu não sabes o que pode acontecer. Ela não sabia com que tipo de pessoas ela poderia estar. Quero que as pessoas saibam que mesmo passando por uma situação destas, uma pessoa consegue sobreviver, consegue superar. E depois de escrever e publicar Junho, recebi muitas mensagens de mulheres que passaram por situações destas, como violência doméstica ou violação, a agradecer-me por escrever sobre isto, por mostrar como a Mia se comportaria perante tal situação. Ela fez uma escolha, apesar de tudo o que passou, e isso funcionou para ela. E é isto que eu quero que as pessoas percebam: Independentemente da situação porque uma pessoa passa, a forma como irá reagir pertence a essa pessoa e só a ela.

The Girl Who Reads Books [eu]: Achas que a Mia deveria ser um exemplo para muitas mulheres no mundo? O facto de ela lutar pelo que quer, em vez de aceitar a ajuda do Wes, de alguma forma, deveria ser um exemplo? 
Audrey: Eu não a criei para ser um exemplo. Eu escrevi-a para ser uma personagem com quem algumas mulheres se pudessem conectar. Mas posso dizer que ela é, sem dúvida, uma personagem que respeito e gosto bastante.
Eu tive imensas pessoas no Brasil a perguntarem-me “Porque é que ela não aceitou a ajuda do Wes?”. Se ela tivesse aceitado, não teria havido história, obviamente. Se aceitasse o dinheiro, qual seria o sentido de escrever os livros? Tudo isto é sobre ela fazer algo por ela, afinal é a família dela. É o pai dela. É a irmã dela. Ela sentia-se responsável pelo que era dela. E muitos de nós, acabamos por sentir um pouco disto também.

Os Livros Nossos: Algures leitores portugueses disseram-me algumas vezes que estranham a relação entre a Mia e a melhor amiga dela, de chamarem-se nomes. 
Audrey: É uma relação única, só delas. É complexo porque elas cresceram juntas e é uma linguagem só delas. Em algumas amizades minhas, às vezes chamamos-nos nomes também. Não é um problema, porque é amizade, é amor. É único, porque pertence só a elas. E elas cresceram em Las Vegas, e são novas, por isso… A Mia está ainda a sair da altura da secundária, e ainda tem muito a aprender. Mesmo assim, ela tem sido quase como uma mãe para a irmã dela e tem crescido imenso.

The Girl Who Reads Books [eu]: Planeias escrever algum “spin-off” de algum personagem masculino? 
Audrey: O engraçado, é que os personagens dos quais talvez escrevesse um spin-off, seriam talvez aqueles de quem a maioria não quereria que eu escrevesse.
Tenho uma ideia de um livro inteiro sobre a Ginna. Eu poderia facilmente escrevê-lo. É uma personagem da qual não me importaria de escrever. Pelo que ela passa mais tarde, muda-a também, por isso… Tenho uma enorme ideia para ela. Deixei a história dela em aberto, para o caso de querer escrever um livro sobre ela.
O Brasil quer que eu escreva um “Calender Boy”. Eles querem um livro inteiro apenas na perspetiva do Wes. Mas não sei… O único livro que li, que era uma versão alternada do livro, foi “Grey” (E.L. James). Não costumo ler livros de perspetivas diferentes. Mas se as minhas editoras quisessem, seria fácil, claro. Porém, escrever os meses todos, na perspetiva dos homens com quem ela teve, seria mais interessante para mim, do que apenas na visão de um.

Os livros Nossos: E sobre outros trabalhos? 
Audrey: Estou a terminar a trilogia “Trinity”, que comecei a escrever antes de “A Rapariga do Calendário”. Estou também a escrever dois spin-offs de Body, mindy & Soul porque não acho que as histórias tenham terminado bem nos livros.
Se “A Rapariga do Calendário” tiver sucesso no final, talvez haja a possibilidade de publicar a trilogia “Trinity”. Mas depende tudo, principalmente dos fãs.

Algodão Doce para o Cérebro: Esperavas todo este sucesso? 
Audrey: Não. Nem esperava que os livros fossem publicados. Eu era uma autora independente, antes de tudo isto.

Os livros Nossos: E tiveste muitas ofertas de editoras? 
Audrey: Sim. Eles ligaram-me do nada. Viram-me na Amazon, viram o sucesso que tinha. Leram os meus livros e gostaram deles. Comecei por vender poucas cópias por mês e pouco tempo depois vendia imensas. Quando publiquei Junho, vendi cerca de um milhão de cópias num mês.

A Autora mencionou ainda que se os livros fossem adaptados, gostaria que fosse a Netflix a responsável pela adaptação e que fosse produzida apenas uma temporada, com 12 episódios. Um episódio correspondente a cada mês. Relativamente aos atores que gostaria de ver como Mia e Wes: “Toda gente pergunta-me isto… Muitas pessoas mencionam a Milla Kunis. Megan Fox, também. Para o Wes, a maioria escolheria o Chris Hemsworth. Mas eu preferia que fossem pessoas desconhecidas a representarem os meus personagens.”

Não sou muito fã de tirar fotos, por questões de timidez haha mas lá tirei uma (não podia deixar de ter uma foto destas) e deixo aqui uma foto minha ao lado da autora: 

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